sábado, 7 de março de 2015

Sutil e quente

Doces mistérios se embalam nos mais claros sinais que a vida dá.

Não ligo que hoje é domingo, até gosto principalmente depois do dia em que serpentinas se confundiram com sorrisos faiscantes. Entro rapidamente em um vestido, o pensamento se esvai em pensamentos soltos, e decido que tudo propicia um despertar, um espécime de tangente.
Mesas vazias, música do elevador, um atendente simpático, você.

Queria saber o que você pensa quando fecha as suas cortinas.

Tento ser discreta ao observar o seu aspecto intimista atrás de um vinho importado que nem consigo identificar, fazendo suas coisas, desliza pra lá sussurra pra cá.
você escreve com tinta laranja de uma caneta, depois verde. Cogito inúmeros possibilidades de qual seria a sua inspiração da vez, mas logo seu olhar se desinteressa do papel e entra em uma atmosfera leve e longe de indagação. Um sorriso me atinge subitamente e com ele percebo um lugar nessa vagarosa cena. Eu, submersa em uma bolha de imprevisibilidade, vou e a cabeça fica cheia de reprise.
 
A sua expressão reflete no anúncio de uma engrenagem infinda.

Resto do Post

sexta-feira, 30 de março de 2012

queria saber explicar em palavras ou linhas
o que sinto com essa poesia em forma de melodia
e com tudo que se passa em nossas vidas.
do belo ao trágico,
do herói ao algoz.
somos sim,
apenas..
nós!



Resto do Post

quinta-feira, 7 de abril de 2011

prato de flores



Não se esqueça por favor que você é uma luz, sim. mas de um candeeiro que não se apaga. sai por aí abrilhantando os caminhos, distribuindo sorrisos faiscantes, flutuantes. talvez seja o motivo do céu estrelado. Não me deixa dormir, pois sua imagem se apaga em certos...mas teu amor rasga nos ares, pois há doçura e beleza e eu quero a minha memória bem acessa e só nela é permitido bailar sem vertigem, numa cabeleira de cachos que ondula sobre mim; e ela vai com sua música dentro dos olhos fechados, depois da angústia apagada...


todas as coisas são finitas

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lindeza



Coisa linda, desejar-te desde sempre
ter-te agora um dia e sempre, uma alegria pra sempre

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Vestanca tempo


Na foto: Juliana

A busca não cessa, do rosto perdido
Mas aquele palpitar de vida,
Sonhos perscrutando as janelas,
Impossíveis presenças?

Em alguma hora e lugar
Perderam-se palavra e o gesto
Que romperiam este tecido de perguntas.

Sabe-se: há alguma voz na expectação de outra,
Que se cala.

Mas passam os dias,
Sucedem-se as noites,
A sepultar os sonhos,
A esquartejar desejos.

A vida sim, cada vez menos,
Vôos atados

A vida, entretanto
A vida e seu breve ofego.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Nas curvas do sonho



O homem que conduz o barco chama-se Carlos Algor, é pescador de profissão e tem sessenta e quatro anos, posto que à vista pareça menos idoso. O rapaz que está sentado ao lado dele é o neto, chama-se Vicente que ainda não chegou aos vinte. Quando os dois homens saíram de casa , o céu ainda mal começava a clarear, agora a manhã já pôs no mundo bastante luz para que possa observar as mãos rígidas de Carlos Algor e adivinhar a sensibilidade das mãos de Vicente. Até um momento em que  o silêncio daquele caminhar se cessa.

Carlos Algor: -Tudo é tempo e contratempo!
Vicente: -Como assim?
Carlos Algor: -O tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo. Em luta seletiva assim como outras formas do tempo.
Vicente: -Outras?(fazendo uma cara de espanto)
Carlos Algor: -Oras meu filho, como moscas, policiais e marimbondos.

Carlos Algor fechou os olhos como se recuasse para o interior de si mesmo e entrou logo em um sonho dizendo para o neto:
-Ó criadores das elevações artificiais do destino eu vos maldigo.
A felicidade do homem é uma felicidade guerreira, tenho dito.
Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sweet liberation has come




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"...mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és" O conto da ilha desconhecida- José Saramago.