segunda-feira, 3 de agosto de 2009




As admirações devem ser compartilhadas mesmo que estas sejam regidas pelo silêncio. Fios de liberdade.
Mesmo que esta retórica estúpida seja conduzida por mim, ela é malvada como as cores que entrelaçam o fim das contemplações. Perdidas.
Vejo aquele homem deitado, em sua casa na Rua Augusta aqui no Botafogo, na sua cama grande de espaço e pequena de sabres. É manhã ainda, falta muito para a chegada da minha felicidade. Ouço ruídos de gentes, sirene na rua, telefone, passos, há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono. Até eu topar na porta de pensamento oco, que me tragará para as profundezas, onde eu costumo sonhar em preto-e-branco e escutá-la minha adorada banda n° 02. O oposto, som ofuscante do tempo que permeia este sol sem luz.
Aquela busca histérica ainda persistia mesmo assim continuava ele deitado, imóvel em sua mecânica. Todavia, apostava ele em pensamentos flutuantes. Quando perguntado sobre sua suposta liberdade, ele respondia de forma efêmera que existia sim, e que tinha uma “alma livre”. Questionado novamente, ele se calou por alguns instantes, mas insistia na confirmação confusa. Eu o questionava embriagada de ensinamentos filosóficos. Seu silêncio atroz trazia-me a resposta.
Seus movimentos blindados naquela cama buscavam a linha oblíqua do tempo. Por alguns minutos tudo se desvaneceu, as paredes do quarto, as fotografias (que dão-nos a ilusão de que estamos vivos nelas), os lençóis,..., só ele permanecia no centro da tela pintada por mim. Passei a desconfiar do teu silêncio, é como se as idéias dilatadas fossem uma concentração de tempos.
Assim outro dia foi embora, outra noite nasceu e minha (alguma) obra incoerente de arte conceitual ameaçava continuar.