segunda-feira, 7 de setembro de 2009



Do lado da cama estava à escrivaninha e na terceira gaveta que eu encontrei o que minha memória insistia em esquecer. Você surgiu outra vez, com o seu silêncio atroz e sua prumada, mas, algo que me deixa intrigante era aquele seu sorriso. No início achava que era uma provocação a presença desta práxis em um momento de ócio e desespero total de minha parte e mais uma vez ela insistia naquele sorriso pintado de vermelho. Sempre com esta cor, simbolizada por algo que não criei e passei a aceitá-lo assim como estes discursos que eu insisto mesmo sendo criado e recriado por algo fora daqui. Sonhei com aquelas duas cores oferecidas em suas distintas mãos, logo preferi a do seu sorriso. Outra vez, sem você. Ela desejava a saudade insistente e reaparecia quando o esquecimento começava a me aquecer. Ela quebra o molde, ela deseja quebrá-lo antes.
Sim, mas o porquê desta minha conversa contigo? Sim lembrei de que meu mestre uma vez me falou que eu esquentava a cabeça demais com coisas que a gravidade dá conta. A princípio não entendi o que ele queria dizer com isso, depois fui atinar para o que meu velho amigo queria dizer em sua forma enigmática tão característica. É que tudo tende a ir para chão forçosamente, por conta da gravidade. Então, face a esse poder maior o que sou? Nada. “Deixe o gênio ser gênio, assim como, deixe o medíocre ser medíocre também, afinal, tudo tende para o chão mesmo, tanto faz se é o mais inteligente, ou, se é o mais idiota”. Sabe das coisas o velho, meu problema é que ainda sou jovem demais para compreender as coisas como elas merecem, isto é, ruminadamente.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Anjo caído



Prefiro me libertar inclusive dos meus desejos.
sabe
as pessoas desejam pra si...
a carne que clama por mais e mais
de tudo que lhe cause prazer ou sei lá.
simples e meros prazeres

Que o sentimento evapore tão rapidamente do que quanto surgiu?

eu não desisto
são as pessoas que acabam acordando do sonho.
e me vêem como um anjo caído.

eu sou a euforia e a depressão.
o riso e o choro.

terça-feira, 1 de setembro de 2009


"Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade"




**Sophia Mello