sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Vestanca tempo


Na foto: Juliana

A busca não cessa, do rosto perdido
Mas aquele palpitar de vida,
Sonhos perscrutando as janelas,
Impossíveis presenças?

Em alguma hora e lugar
Perderam-se palavra e o gesto
Que romperiam este tecido de perguntas.

Sabe-se: há alguma voz na expectação de outra,
Que se cala.

Mas passam os dias,
Sucedem-se as noites,
A sepultar os sonhos,
A esquartejar desejos.

A vida sim, cada vez menos,
Vôos atados

A vida, entretanto
A vida e seu breve ofego.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Nas curvas do sonho



O homem que conduz o barco chama-se Carlos Algor, é pescador de profissão e tem sessenta e quatro anos, posto que à vista pareça menos idoso. O rapaz que está sentado ao lado dele é o neto, chama-se Vicente que ainda não chegou aos vinte. Quando os dois homens saíram de casa , o céu ainda mal começava a clarear, agora a manhã já pôs no mundo bastante luz para que possa observar as mãos rígidas de Carlos Algor e adivinhar a sensibilidade das mãos de Vicente. Até um momento em que  o silêncio daquele caminhar se cessa.

Carlos Algor: -Tudo é tempo e contratempo!
Vicente: -Como assim?
Carlos Algor: -O tempo é eterno. Eu sou uma forma vitoriosa do tempo. Em luta seletiva assim como outras formas do tempo.
Vicente: -Outras?(fazendo uma cara de espanto)
Carlos Algor: -Oras meu filho, como moscas, policiais e marimbondos.

Carlos Algor fechou os olhos como se recuasse para o interior de si mesmo e entrou logo em um sonho dizendo para o neto:
-Ó criadores das elevações artificiais do destino eu vos maldigo.
A felicidade do homem é uma felicidade guerreira, tenho dito.
Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira!